A vida em forma de uma borboleta
-Prazer, sou
sua filha!
-Olá! Sou
seu pai, muito prazer.
Nossas
brincadeiras juntos não se limitam só a isto, afinal nos amamos ou nós
amávamos, uma relação construtiva, duradoura é o que deveria existir, um
paraíso de sentimentos múltiplos e ações variadas deveria estar no dia a dia,
sem exceções ou privações.
É, a vida passa e esta menina cuja
identificação prefere o restrito o privativo, por medo, angustia e até mesmo
desolação. Já o homem, o chefe da família, quem deveria ser o responsável e o
exemplo mais admirável e adequado, se é conhecido por pai ou então Dirceu.
Em uma volta com este homem no campo
da serra, observei uma bela borboleta, muito radiante por sinal, suas cores
eram vivas, me lembravam como a vida era boa, com sua natureza, pessoas,
historias e percepção de futuro, foi algo instigante me parecia que estava em
um belo conto de fadas onde as luzes não se apagam, as chamas são cada vez mais
fortes e com vida, um mundo onde a perfeição é a palavra chave. Suas magníficas
asas gigantescas de forma geométrica me transmitiam segurança e leveza,
esperança e um conforto fetivo muito forte.
Mas a frente meu pai havia parado, e
agora sentados no chão ele me observava, eu uma criança de 6 anos não entendia
o seu gesto, mas a curiosidade me fez perguntar:
- Estou
bonita papai, é isto?
Ele riu e me
falou: - princesas são esplendorosas bebê.
Mas logo
depois desfazendo o seu sorriso e aparecendo no lugar um aspecto triste e de
culpa acrescentou: - Sempre te amarei as escolhas por mim feitas, não são
relacionadas a você, gostaria muito que entende-se isso, tem coisas das quais
irei fazer, mas são necessárias, você deverá ficar bem, tudo correrá bem, ame a
todos que te amem, seja uma boa menina, não ligue para os outros eles vêem
defeitos nos outros pois se acham cheios de defeitos, querendo assim, te fazer
sentir alguém inútil e sem valor, igual a eles.
-Espera ai
pai, não te entendo, você quer que eu saia da sua vida, isto é uma despedida?
Fiquei sem repostas, voltamos para casa sem nos falarmos durante todo o
trajeto.
Eu agora com 11 anos, já não o
chamava mais de pai, apenas de Dirceu, mais seus conselhos ainda eram os
mesmos, sua voz agora me transmitia insegurança e medo, mas seu olhar era doce,
seus pensamentos era em mim, eu sei disto.
Em um domingo havia dito a meu pai
que ia sair, nos discutimos por que ele queria que eu sai-se somente mais
tarde, e ele novamente me deu seus velhos conselhos. Sai e nem considerei sua
opinião.
Chegando a noite em casa, vi sangue
no chão olhei para cima, estava vindo da varanda, entrei em desespero era meu
pai, ali, agora em minha frente, estirado no chão, ele havia se matado.
Lembrando de seus conselhos, naquele momento percebi que ele estava me
preparando ano após ano e que eu tola, não o ouvi, sendo assim saindo de casa.
Poderia ter ficado, ter o analisado, ter o impedido de fazer isto. Para que
tirar sua própria vida? Por que iria me deixar aqui sem ele? Agora minha vida
estava vazia, não encontrava mais nenhum sentimento dentro de mim, a não ser a
covardia e a decepção, em noites frias, riamos do verão! Agora eu irei querer
morrer congelada e não rir mais pois tudo se tornara ridículo. Acabara de
encontrar um papel em sua mão, o que havia nele? Estava com medo de ler, de ver
que o motivo talvez teria sido eu. Comecei a ler, nela estava dizendo assim:
Te preparei ao longo destes anos,
não queria que você sofre-se, te amo muito, mais as coisas, não tinham mais
graça, animo, esperança, sua mãe ter nos abandonado, foi algo muito trágico
para mim, não consegui suporta, eu desempregado, falido, não merecendo seu amor
e nem de seu irmão, resolvi me matar, desanimei, não havia mais sentido para
mim estar vivendo, não suporto ver vocês sofrerem com a minha depressão, mais
deixei vocês em boas mãos, sua avó te ama muito assim como eu amo completamente
todos vocês. Mas só o amor para mim não bastou.
Ao ler isso, chorei dramaticamente,
com toda dor do mundo possível. A vida não é fácil, nada nunca foi.
Vi que na arma havia uma bala ainda,
não podia errar aquele tiro ele deveria ser fatal, perfeito. Apontei para minha
cabeça, foi quando uma borboleta pousou em meu ombro, não era qualquer
borboleta, era aquela de minha infância, olhando ela refleti que a vida é boa,
nós é que tomamos decisões erradas, nós é que julgamos erradamente, nós que
agimos por impulsos tornando ações indesejadas, nós é que deveríamos garra
coragem, e seguir em frente, nós é que temos que ser fortes e transmitir força.
Desistir da vida foi uma escolha
minha, mas eu sabia que a borboleta me entenderia.