terça-feira, 17 de abril de 2012

A vida em forma de uma borboleta


A vida em forma de uma borboleta

-Prazer, sou sua filha!
-Olá! Sou seu pai, muito prazer.
Nossas brincadeiras juntos não se limitam só a isto, afinal nos amamos ou nós amávamos, uma relação construtiva, duradoura é o que deveria existir, um paraíso de sentimentos múltiplos e ações variadas deveria estar no dia a dia, sem exceções ou privações.
            É, a vida passa e esta menina cuja identificação prefere o restrito o privativo, por medo, angustia e até mesmo desolação. Já o homem, o chefe da família, quem deveria ser o responsável e o exemplo mais admirável e adequado, se é conhecido por pai ou então Dirceu.
            Em uma volta com este homem no campo da serra, observei uma bela borboleta, muito radiante por sinal, suas cores eram vivas, me lembravam como a vida era boa, com sua natureza, pessoas, historias e percepção de futuro, foi algo instigante me parecia que estava em um belo conto de fadas onde as luzes não se apagam, as chamas são cada vez mais fortes e com vida, um mundo onde a perfeição é a palavra chave. Suas magníficas asas gigantescas de forma geométrica me transmitiam segurança e leveza, esperança e um conforto fetivo muito forte.
            Mas a frente meu pai havia parado, e agora sentados no chão ele me observava, eu uma criança de 6 anos não entendia o seu gesto, mas a curiosidade me fez perguntar:
- Estou bonita papai, é isto?
Ele riu e me falou: - princesas são esplendorosas bebê.
Mas logo depois desfazendo o seu sorriso e aparecendo no lugar um aspecto triste e de culpa acrescentou: - Sempre te amarei as escolhas por mim feitas, não são relacionadas a você, gostaria muito que entende-se isso, tem coisas das quais irei fazer, mas são necessárias, você deverá ficar bem, tudo correrá bem, ame a todos que te amem, seja uma boa menina, não ligue para os outros eles vêem defeitos nos outros pois se acham cheios de defeitos, querendo assim, te fazer sentir alguém inútil e sem valor, igual a eles.
-Espera ai pai, não te entendo, você quer que eu saia da sua vida, isto é uma despedida? Fiquei sem repostas, voltamos para casa sem nos falarmos durante todo o trajeto.
            Eu agora com 11 anos, já não o chamava mais de pai, apenas de Dirceu, mais seus conselhos ainda eram os mesmos, sua voz agora me transmitia insegurança e medo, mas seu olhar era doce, seus pensamentos era em mim, eu sei disto.
            Em um domingo havia dito a meu pai que ia sair, nos discutimos por que ele queria que eu sai-se somente mais tarde, e ele novamente me deu seus velhos conselhos. Sai e nem considerei sua opinião.
            Chegando a noite em casa, vi sangue no chão olhei para cima, estava vindo da varanda, entrei em desespero era meu pai, ali, agora em minha frente, estirado no chão, ele havia se matado. Lembrando de seus conselhos, naquele momento percebi que ele estava me preparando ano após ano e que eu tola, não o ouvi, sendo assim saindo de casa. Poderia ter ficado, ter o analisado, ter o impedido de fazer isto. Para que tirar sua própria vida? Por que iria me deixar aqui sem ele? Agora minha vida estava vazia, não encontrava mais nenhum sentimento dentro de mim, a não ser a covardia e a decepção, em noites frias, riamos do verão! Agora eu irei querer morrer congelada e não rir mais pois tudo se tornara ridículo. Acabara de encontrar um papel em sua mão, o que havia nele? Estava com medo de ler, de ver que o motivo talvez teria sido eu. Comecei a ler, nela estava dizendo assim:
            Te preparei ao longo destes anos, não queria que você sofre-se, te amo muito, mais as coisas, não tinham mais graça, animo, esperança, sua mãe ter nos abandonado, foi algo muito trágico para mim, não consegui suporta, eu desempregado, falido, não merecendo seu amor e nem de seu irmão, resolvi me matar, desanimei, não havia mais sentido para mim estar vivendo, não suporto ver vocês sofrerem com a minha depressão, mais deixei vocês em boas mãos, sua avó te ama muito assim como eu amo completamente todos vocês. Mas só o amor para mim não bastou.
            Ao ler isso, chorei dramaticamente, com toda dor do mundo possível. A vida não é fácil, nada nunca foi.
            Vi que na arma havia uma bala ainda, não podia errar aquele tiro ele deveria ser fatal, perfeito. Apontei para minha cabeça, foi quando uma borboleta pousou em meu ombro, não era qualquer borboleta, era aquela de minha infância, olhando ela refleti que a vida é boa, nós é que tomamos decisões erradas, nós é que julgamos erradamente, nós que agimos por impulsos tornando ações indesejadas, nós é que deveríamos garra coragem, e seguir em frente, nós é que temos que ser fortes e transmitir força.
            Desistir da vida foi uma escolha minha, mas eu sabia que a borboleta me entenderia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário